A Spirit Airlines cancelou neste sábado (2) todos os voos previstos nos Estados Unidos e encerrou operações, no que representa a primeira falência de uma companhia aérea no país desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
O colapso da companhia aérea low-cost, que oferecia passagens de baixo custo, ocorre após a disparada no preço de combustível de aviação nos EUA, que dobrou de valor.
O encerramento de atividades da Spirit decorre de uma reunião nessa sexta-feira (1º) do conselho da empresa, que fracassou na tentativa de conseguir apoio de credores para salvar a companhia. O governo do presidente Donald Trump tinha proposto ajuda de US$ 500 milhões, mesmo com oposição de aliados próximos e diversos parlamentares republicanos no Congresso.
Segundo a agência Reuters, nenhuma aérea do tamanho da Spirit, que chegou a responder por 5% de todos os voos nos EUA, foi à falência em duas décadas. Em comunicado, a empresa informou a clientes que todos os voos foram cancelados e orientou passageiros a não se deslocarem a aeroportos.
Entre 1º e 15 de maio, a Spirit tinha 4.119 voos domésticos, com 809.638 assentos oferecidos, segundo a Cirium, empresa especializada em dados de aviação. Em fevereiro, cerca de 1,7 milhão de passageiros voaram pela companhia, com 3,9% de fatia do mercado ante 5,1% no mesmo período de 2025.
Os preços de combustíveis aumentaram no mercado internacional quando o Irã reagiu a EUA e Israel por meio do bloqueio de Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e gás, provocando choque no valor desses insumos. Trata-se da maior crise do mercado de aviação comercial desde a pandemia de covid-19.
A Spirit já vinha em situação ruim nos últimos anos, mesmo antes da guerra no Oriente Médio. Marca construída em torno de passagens baratas para clientes dispostos a dispensar despacho de bagagens e assentos marcados por preços baixos, a aérea viu a demanda retrair no período pós-pandemia, que forçou companhias low-cost a se adaptarem.
A falência deve beneficiar rivais como JetBlue Airways e Frontier Airlines. Um credor com informações sobre o acordo que fracassou disse à Reuters que “o governo Trump fez um esforço extraordinário para tentar salvar a Spirit, mas não dá para soprar vida em um cadáver”.
O processo de falência já era o segundo da aérea em menos de dois anos. A empresa acionou o Chapter 11, mecanismo da Lei de Falências dos EUA, em novembro de 2024, e conseguiu se reerguer após uma reestruturação financeira feita em março de 2025. Em agosto passado, porém, teve de ajuizar um novo pedido de recuperação judicial.
Foto: Spirit Airlines | Divulgação
Fonte: SBT NEWS



