Manaus

Manaus celebra 356 anos com olhar para o futuro

Melissa enxerga Manaus como uma cidade de contrastes e encantos, onde a força da natureza se entrelaça à arquitetura e à cultura urbana.

No dia 24 de outubro, Manaus celebra 356 anos de história. A capital amazonense chega a esta data como a maior metrópole do Norte brasileiro — viva, criativa e em constante transformação. Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, que chegou à cidade ainda criança e construiu aqui sua trajetória profissional e pessoal, o aniversário é um convite à reflexão sobre o que a capital se tornou e o que ainda pode ser.

“Cresci junto com a cidade. Talvez por isso eu me sinta tão manauara quanto paulista. Sou o resultado do encontro entre o Sudeste e o Norte, das culturas e dos afetos”, afirma Melissa, professora de Arquitetura e Urbanismo há mais de 25 anos, com atuação voltada à preservação do patrimônio histórico e à promoção de um planejamento urbano mais humano e sustentável.

Para ela, Manaus é um símbolo de resistência, desenvolvimento e diversidade. “Temos desafios típicos das grandes cidades, mas um papel crucial: conservar nossas características naturais e promover políticas que unam desenvolvimento e preservação”, destaca.

Evolução urbana e os dilemas da metrópole amazônica

A arquiteta relembra que o crescimento urbano de Manaus foi marcado por períodos de grande aceleração. “Tivemos o ciclo da borracha, depois o ciclo da Zona Franca, que atraiu indústrias e gerou um inchaço populacional. Isso pressionou as estruturas urbanas e criou mazelas como a mobilidade deficiente e a falta de infraestrutura em muitos bairros”, explica.

Esses processos, segundo Melissa, ainda reverberam no presente. “Vivemos dilemas que pedem planejamento a longo prazo. Temos ocupações em áreas ambientalmente sensíveis, falta de integração nos transportes e uma carência habitacional significativa. A segregação socioespacial e a invisibilidade das populações ribeirinhas e indígenas também persistem como desafios.”

Ainda assim, ela vê movimentos locais — tanto institucionais quanto comunitários — que apontam para caminhos mais justos e inclusivos. “Precisamos de políticas públicas que considerem o território real, e não o idealizado. O urbanismo praticado na Amazônia deve compreender que aqui o solo é frágil, a floresta é vizinha e os rios são vias — e também são vidas”, ressalta.

Entre o concreto e a floresta

Melissa enxerga Manaus como uma cidade de contrastes e encantos, onde a força da natureza se entrelaça à arquitetura e à cultura urbana. “O Centro Histórico, mesmo com suas cicatrizes do tempo, ainda guarda a beleza de uma arquitetura eclética, com gradis e casarões que resistem ao abandono. É uma paisagem em recuperação, que reflete a identidade de um povo resiliente e criativo”, observa.

Para ela, o futuro da cidade precisa ser pensado com base na inclusão e no respeito à vida. “Precisamos de um urbanismo que valorize as pessoas e também a paisagem natural — a água, a floresta, a fauna, a riqueza da Amazônia. Cuidar da cidade é um ato de amor e compromisso”, afirma.

Um olhar para o amanhã

Em um momento em que a Amazônia ganha destaque global e se prepara para sediar eventos internacionais, como a COP 30, Melissa acredita que Manaus reafirma seu compromisso com o futuro. “A cidade retoma políticas públicas urbanas, busca inovação e tecnologia, mas precisa garantir que esse desenvolvimento caminhe lado a lado com a inclusão social. Manaus segue em evolução”, pontua.

Ao celebrar 356 anos, a arquiteta resume o sentimento de pertencimento que une passado, presente e futuro:
“Para mim, Manaus é casa. E cuidar da casa é, acima de tudo, um gesto de amor.”

Fonte/Foto: Assessoria

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