As Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram novos ataques contra o Irã na madrugada desta segunda-feira (8). A ofensiva ocorreu em retaliação aos mísseis lançados por Teerã contra Tel Aviv, em resposta aos bombardeios israelenses no Líbano, contra o Hezbollah, em meio ao cessar-fogo.
Segundo os militares, os ataques miraram infraestruturas do regime iraniano no oeste e centro do país. O complexo petroquímico de Mahshahr, no sudoeste do Irã, também foi alvo de bombardeios. À mídia iraniana, moradores relataram explosões na capital, Teerã, Tabriz, Isfahan e perto de Karaj.
“O Chefe do Estado-Maior Geral, Major-General Eyal Zamir, e oficiais superiores das FDI têm conduzido avaliações contínuas da situação e estão comandando ataques das FDI no Irã a partir da sala de operações da Força Aérea. As FDI estão alertas e prontas para continuar operações em todos os setores contra qualquer um que ameace o Estado de Israel”, disseram os israelenses.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia pedido ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não retaliasse os ataques iranianos para não prejudicar as negociações de paz em andamento. “Estamos muito perto de um acordo final com o Irã. Vai ser um bom acordo. Não quero que isso exploda por causa do que está acontecendo agora”, disse.
O pedido, contudo, foi ignorado, aumentando as hostilidades. Pelas redes sociais, Ebrahim Rezaei, parlamentar linha-dura e porta-voz do comitê de segurança nacional do parlamento iraniano, prometeu uma “punição completa” aos ataques israelenses, dizendo que Teerã não cederá.
O cenário pode dificultar as negociações. Isso porque, além da quebra do cessar-fogo com Israel, o Irã afirma que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos depende de uma trégua no Líbano, onde Israel mantém operações militares contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo regime.
Na última quarta-feira (3), Trump teve uma conversa ríspida por telefone com Netanyahu, exigindo o fim dos bombardeios contra o Líbano. À mídia norte-americana, o republicano afirmou que chamou o premiê israelense de “louco”, dizendo estar incomodado com as “constantes brigas” de Netanyahu com o Líbano.
Entenda
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como “positivo” pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. O mesmo ocorreu entre Israel e Líbano, mas as hostilidades continuam, dificultando o diálogo entre os países.
Foto: Fumaça sobe após explosão em Teerã | Foto: reprodução/Reuters



