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Hantavírus em cruzeiro: sobe para cinco o número de casos confirmados, segundo a OMS

Organização afirma que o risco global é baixo e monitora passageiros antes da chegada do navio às Ilhas Canárias

Cinco dos oito casos suspeitos de hantavírus ligados ao navio de cruzeiro MV Hondius foram confirmados, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7). Até o momento, portanto, foram relatados oito casos, incluindo três óbitos. Com cinco casos confirmados, outros três permanecem em investigação.

O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que uma ameaça à saúde pública permanece baixa, acrescentando que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e que pode haver mais casos devido ao longo período de incubação do vírus. “A OMS está ciente de relatos de outras pessoas com sintomas que podem ter tido contato com um dos passageiros. Em cada caso, estamos em contato direto com as autoridades competentes”, explicou.

Ainda segundo o diretor, antes de embarcarem no cruzeiro, os dois primeiros casos viajaram pela Argentina, Chile e Uruguai para observação de pássaros: “[A viagem] incluiu visitas a locais onde a espécie de rato conhecida por ser portadora do vírus dos Andes estava presente. A OMS está trabalhando com as autoridades de saúde da Argentina para entender os deslocamentos do casal.”

Este não é o coronavírus, este é um vírus muito diferente“, destacou Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da OMS, em uma coletiva de imprensa. “Esta não é a mesma situação em que estávamos há seis anos.”

A OMS disse ainda que está trabalhando em orientações para quando as dezenas de passageiros restantes no navio, que está a caminho das Ilhas Canárias, chegarem no destino. A previsão é que isso aconteça entre sábado (9) e domingo (10). Nenhum desses passageiros apresenta sintomas no momento, segundo a organização.

O navio MV Hondius, com 150 pessoas a bordo, atracará em Tenerife depois que a Espanha concordou com os pedidos da Organização Mundial da Saúde para recebê-lo, apesar dos protestos do governo local.

“Acho que todos têm o dever moral de cuidar das pessoas que estão no navio. Portanto, espero que aqueles que têm preocupações nas Ilhas Canárias compreendam, apoiem e cooperem”, afirmou Tedros.

O que é o hantavírus

O hantavírus é um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres que pode causar uma doença chamada hantavirose. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que pode afetar pulmões e coração.

A infecção pode variar de quadros leves, semelhantes a uma gripe, até formas graves com comprometimento respiratório. A principal forma de contágio acontece pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados.

Segundo a OMS, infecções por hantavírus são incomuns e não se espalham facilmente entre humanos.

Histórico do surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius

  • Início de abril: o cruzeiro de expedição MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina. Cerca de 150 passageiros estavam a bordo.
  • Provável origem do vírus: os dois primeiros passageiros infectados haviam viajado por Argentina, Chile e Uruguai, em áreas onde há roedores portadores do vírus dos Andes. A OMS acredita que o vírus tenha sido introduzido no navio por um passageiro já exposto antes da viagem.
  • Primeiras mortes misteriosas a bordo: um passageiro morreu durante a viagem, inicialmente sem causa definida. Dias depois, outro passageiro apresentou quadro grave e foi evacuado com suspeita de hantavírus, o primeiro diagnóstico confirmado ligado ao navio.
  • Alerta sanitário internacional: casos adicionais surgiram entre passageiros. Autoridades de saúde começaram a rastrear contatos em diferentes países. O número total chegou a oito casos suspeitos, incluindo três mortes.
  • Início de maio: o Hondius ficou ancorado próximo ao porto da Praia, em Cabo Verde. Passageiros não puderam desembarcar enquanto equipes médicas investigavam o surto.
  • Evacuações médicas emergenciais: três pessoas foram retiradas do navio para tratamento em terra.
  • 6 de maio: após negociações com autoridades sanitárias e a OMS, foi autorizado que o cruzeiro seguisse para a Espanha. O governo regional das Ilhas Canárias se posicionou contra a chegada por temor sanitário e falta de informações. O navio deixou Cabo Verde em direção a Tenerife, nas Ilhas Canárias, com passageiros ainda monitorados.
  • 7 de maio: a Organização Mundial da Saúde confirmou cinco casos de hantavírus ligados ao cruzeiro. Outros casos permaneceram sob investigação. A OMS afirmou que o risco para a população geral é considerado baixo.
  • Chegada prevista às Ilhas Canárias: passageiros seriam avaliados, hospitalizados ou colocados em quarentena conforme sintomas. Autoridades prepararam protocolos especiais devido ao longo período de incubação do vírus.

Fonte/Foto: SBT NEWS

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