A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, defendeu a soberania da Groenlândia nesta quarta-feira (8), dizendo que a “ilha não está à venda”. A declaração veio em resposta à fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre controlar a região.
“A posição dos Estados Unidos é infelizmente muito clara sobre esse assunto, e nossa posição é tão clara quanto sempre foi. A Groenlândia, é claro, não está à venda. Esperamos que todos, incluindo todos os aliados, respeitem o direito do povo da Groenlândia à autodeterminação. Somos estados soberanos e precisamos que todos respeitem nossa integridade territorial”, disse.
Remota e gelada, a Groenlândia é uma ilha dinamarquesa autônoma entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico. O território vem atraindo o interesse de Trump desde seu primeiro mandato (2017-2021) devido à alta quantidade de minérios raros, além de uma posição militar estratégica para defesa antimísseis e vigilância espacial — especialmente num contexto de rivalidade com Rússia e China.
No ano passado, Trump comentou sobre o desejo de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos, dizendo que o território é necessário para a segurança do país. Na época, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, chegou a citar discussões sobre a possível compra da ilha pelo governo, afirmando que Washington não descartava o uso da força para assumir a região.
O assunto foi retomado por Trump nesta semana, em meio à cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na Turquia. “A Groenlândia não ajuda a Dinamarca. A Dinamarca não gasta dinheiro para realmente ajudar a Groenlândia, mas ela é uma parte importante para os Estados Unidos e está cercada por navios chineses e russos”, disse o presidente.
A fala do norte-americano foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores da Groenlândia, Mute Egede, que afirmou que o futuro da ilha é decidido pela população.
“Devemos continuar levando a situação a sério e enfrentá-la com calma, unidade e um rumo firme. Devemos nos unir em casa e continuar a estreita cooperação com nossos aliados e parceiros. Ao mesmo tempo, devemos insistir em encontrar soluções por meio do diálogo e do respeito. Nosso futuro é decidido por nós na Groenlândia. Isso sempre foi assim. E sempre será”, afirmou.
Fonte: SBT NEWS



