Economia

CNI: tarifaço dos EUA pode impactar um terço das exportações

Levantamento aponta que tarifas de 37,5% podem atingir 31,6% dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos

O novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos pode impactar cerca de um terço das exportações do Brasil para o mercado norte-americano, mostra projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta segunda-feira (15).

De acordo com levantamento da entidade, caso entrem em vigor, as tarifas de até 31,5% propostas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) podem atingir 31,6% dos produtos brasileiros vendidos ao país norte-americano. O aumento seria de 27,5 pontos percentuais em relação à taxa atual, de 10%. Outros 3,6% das exportações nacionais sofreriam aumento de 10% para 12,5%, alta de 2,5 pontos.

A soma de exportações atingidas chega a 35,2%. “Considerando também as medidas setoriais da Seção 232 já em vigor, a parcela das exportações brasileiras submetidas a alguma taxação adicional poderia chegar a 54,1%“, alertou a confederação.

A CNI lista o ferro gusa como um dos itens que podem ser sobretaxados em 37,5%. Atualmente vendido aos EUA com tarifa de 10%, o produto respondeu em 2024 por US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras destinadas ao território norte-americano.

“O levantamento considera as listas de exceções publicadas pelo USTR e mantém isentas as exportações que já estão sujeitas às medidas da Seção 232, conforme relatórios divulgados pelo órgão”, explicou a entidade. Veja exemplos dados pela confederação:

Produtos que podem ser impactados com tarifas de 37,5%

  • Ferro gusa não ligado;
  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Molduras de madeira padrão de pinho.

Produtos que podem ser impactados com tarifas de 12,5%

  • Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas;
  • Lajes de quartzito;
  • Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja;
  • Silício;
  • Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

Em junho, o USTR divulgou a conclusão de duas investigações realizadas com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Com uma extensa lista de exceções, como café, carne e suco de laranja, a tarifa de 25% foi proposta pelo órgão por supostas práticas concorrenciais desleais contra os EUA, com menção ao sistema de pagamento Pix, além de falhas no combate à corrupção e no controle do desmatamento ilegal.

Já a taxa adicional de 12,5% foi sugerida a diversos países, incluindo o Brasil, que falharam em proibir e fiscalizar a importações de mercadorias produzidas com suposto trabalho forçado. As duas tarifas podem incidir simultaneamente sobre diversos produtos, chegando ao total de 37,5%.

O novo tarifaço ainda não entrou em vigor, pois depende de consulta pública e audiências antes de uma decisão final do governo do presidente Donald Trump.

O USTR realizará audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho sobre as investigações comerciais, com abertura à contribuições de empresas, entidades e governos. “Para a CNI, essa etapa é uma oportunidade adicional para que o Brasil reforce, com informações e evidências técnicas, que se trata de medidas injustificadas e que prejudicam a relação econômica entre os dois países”, disse a confederação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na França nesta segunda (15) para participar da cúpula do G7 como convidado. O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro informal com Trump, como maneira de reabrir um canal direto entre os chefes de Estado.

O Palácio do Planalto entende que não é necessária uma nova reunião formal entre os presidentes, dada a proximidade do encontro realizado em maio na Casa Branca, e avalia que as negociações sobre tarifas devem ficar concentradas entre técnicos do comércio e da diplomacia, no grupo de trabalho criado entre os países.

Foto: Indústria | Divulgação/José Paulo Lacerda/CNI

Fonte: SBT NEWS

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