Viriato Rolf participa do Campeonato de Qualidade do Café Apuí Agroflorestal desde 2022, ano de estreia do evento. Segundo colocado em 2022 e 2024, campeão em 2023 e agora em 2025, ele mantém uma trajetória consistente na produção de cafés de excelência em Apuí, ao lado de cerca de 20 famílias de produtores que participam de ações de aprimoramento técnico com o apoio do Idesam e da Amazônia Agroflorestal no município do sul do Amazonas, localizado a 453 quilômetros em linha reta de Manaus, região por onde passa trecho da rodovia Transamazônica.
“Foi uma surpresa ganhar, eu já estava satisfeito se ficasse entre os três, é bom demais ganhar esse reconhecimento porque valoriza esse trabalho que a gente se dedica tanto. Isso aqui é um incentivo para melhorar cada vez mais a qualidade do café do município de Apuí, nosso maior desafio é o climático, o excesso de chuva ou de verão, porque temos a assistência técnica, irrigação e adubação, brota, desbrota, colheita etc. Estamos muito bem instruídos, mas com a natureza é um pouco de sorte, mas estamos nos adequando”, comentou o vencedor.
Sobre o cuidado na produção, Viriato destacou ainda a importância de técnicas precisas para garantir a qualidade do café, “produzimos café, mas esse campeonato é a prova de que estamos trabalhando bem em um excelente café, premiado, com valor agregado. Um café de qualidade precisa ser colhido maduro levado imediatamente ao terreiro suspenso; caso contrário, ele fermenta e perde qualidade”, concluiu.
Com a maior nota de 85,75, o café produzido por Viriato Rolf apresentou aromas e sabores complexos, com destaque para nectarina, calda de pudim, doce, castanha-do-brasil, laranja, caja, delicado, equilibrado.
O campeonato cresceu desde a última edição, consolidando-se como um marco anual da cafeicultura amazônica. Já é a segunda edição que o evento é feito independente da Exposição Agropecuária de Apuí, a Expoap, para tornar-se também um dos principais eventos da cafeicultura no município de Apuí.
Na edição realizada em 18 de outubro, quinze amostras de café foram enviadas pelos parceiros produtores para avaliação de degustadores especializados, reforçando o rigor técnico e a busca pela excelência que o campeonato vem consolidando ao longo dos anos.
Mulheres que movem a cafeicultura
O reconhecimento ultrapassa as fronteiras do município: a produtora Márcia Brito, vencedora da terceira colocação dessa edição do campeonato, foi convidada pela Três Corações para participar do Florada Premiada, o maior concurso de cafés produzidos por mulheres do mundo, em Belo Horizonte, no próximo 9 de novembro — um reflexo do destaque que o evento e seus produtores vêm conquistando no cenário nacional. Uma relevância que inspira outras mulheres da comunidade e projeta o evento e suas produtoras para o reconhecimento nacional.
Márcia trocou a vida na cidade pelo campo e viu uma oportunidade de aprendizado na assistência técnica apoiada pelo Idesam e pela Amazônia Agroflorestal para o cultivo de café, assim que trocou o imóvel por uma chácara de 2 alqueires, o equivalente a 2,4 hectares de área de cultivo.

“É uma propriedade que tem apenas dois alqueires, mas isso mostra que para a gente ser reconhecido não precisa ter fazenda, pode começar pequeno e enquanto mulher mostra que a gente precisa acreditar nos nossos sonhos. Foi uma grande surpresa ter recebido esse convite para ir à Florada, é a realização de um sonho”, contou a produtora.
A produtora Marina Araújo é principiante no campeonato e conquistou o terceiro lugar nesta edição em empate com a produtora Márcia. Ela e o esposo Everaldo Florêncio enviaram duas sacas como amostras, de acordo com o regulamento. Além do top 3, o casal ainda recebeu o reconhecimento de “Produtor parceiro do ano”. “Foi emocionante demais e nos deixou ainda mais animados. Nós saímos de Rondônia para o Apuí e surgiu essa oportunidade com o Idesam e a Amazônia Agroflorestal de aplicar o que a assistência técnica fala”, disse o casal.
Poliana Perrut, engenheira agrônoma responsável pela consultoria técnica e acompanhamento no sucesso dos produtores, destacou a importância do evento, “o campeonato é uma grande celebração da safra e a gente vem reconhecer quem trabalhou por ela para poder dar visibilidade ao município. Todos os outros cafeicultores produziram, mas quem se arrisca nos concursos, quem coloca o município no mapa da qualidade são essas pessoas.”
Durante a semana do concurso, a especialista percorreu as propriedades seguindo a agenda da assistência técnica, conversou com produtores, avaliou plantas e conduziu um dia de campo em um Sistema Agroflorestal com técnicos, parceiros e autoridades como o Sicoob, Prefeitura e Câmara Municipal de Apuí, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, IDAM e ADAF, com o apoio e presença da produtora premiada em Rondônia, Ivonete Nedel e outros parceiros locais.
Sarah Sampaio, diretora-executiva da Amazônia Agroflorestal, empresa criada em 2019 e co-responsável pela cadeia de valor do Café Apuí Agroflorestal, destacou, “Nosso objetivo, desde que o Idesam chegou aqui em 2006 com os primeiros estudos, foi entender como apoiar o produtor rural para gerar renda de forma sustentável — ou seja, com a floresta em pé. Foram os próprios produtores que perceberam que o café que produziam poderia ser cultivado junto com a floresta. Buscamos financiamento e parceiros até chegarmos ao primeiro plantio e, desde 2019, a Amazônia Agroflorestal, empresa criada pelo Idesam garante a compra do café agroflorestal a um preço justo, garantindo assim a geração de renda sustentável. Juntos, oferecemos a assistência técnica para acompanhar cada etapa do Sistema Agroflorestal, chegando hoje a mais de 100 famílias parceiras na Iniciativa.”

A realização do 4º Campeonato de Qualidade do Café Apuí Agroflorestal reafirma o compromisso do Idesam e da Amazônia Agroflorestal com a excelência e a sustentabilidade da cafeicultura na Amazônia, oferecendo consultoria técnica e acompanhamento especializado que têm sido fundamentais para a evolução da qualidade dos cafés produzidos em sistemas agroflorestais.
A presença ativa de mulheres como protagonistas nesta edição — entre elas as produtoras Márcia Brito, Marina Araújo e Adeílda Pereira — reforça a dimensão inclusiva e inspiradora do evento, ao mostrar que é possível conciliar tradição, inovação e geração de renda em pequenas propriedades. Mais do que premiar cafés de excelência, o campeonato reafirma que a floresta em pé e o café amazônico podem crescer lado a lado — com sustentabilidade e protagonismo local.
Fonte/Fotos: Sarah Pacini



