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Irã responde e ataca bases militares dos EUA no Golfo

Mísseis e drones foram reportados no Bahrein e no Kuwait; Teerã acusa Washington de violar cessar-fogo
Irã responde e ataca bases militares dos EUA no Golfo

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou, nesta quarta-feira (8), novos ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. A ofensiva ocorreu em retaliação aos bombardeios norte-americanos contra alvos iranianos, na noite anterior.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês), foram atacados mais de 80 alvos iranianos, incluindo defesa aérea, radares costeiros e lançadores de mísseis antinavio. A ação foi em resposta ao que os militares classificaram como “ofensiva iraniana” contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz.

Em retaliação, as tropas iranianas lançaram mísseis e drones contra bases militares no Bahrein, que abriga a sede da 5ª Frota Marinha dos Estados Unidos, e no Kuwait, sede do quartel-general para as forças do Exército norte-americano na região. “Se sons de explosões forem ouvidos, eles são resultado de sistemas de defesa aérea interceptando os ataques hostis”, disse o Kuwait.

Os ataques representam uma das maiores trocas de hostilidades desde que Estados Unidos e Irã concordaram com um cessar-fogo, em junho, para avançar nas negociações de paz. Além do impacto militar, uma escalada no Estreito de Ormuz pode afetar diretamente o mercado global de energia, pressionando os preços do petróleo.

Em comunicado, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de violar o cessar-fogo. No texto, ele citou os ataques contra o sul do país, violações dos “ajustes iranianos no Estreito” e a retomada das sanções ao petróleo iraniana, que haviam sido suspensas temporariamente no mês passado.

“Continuação da agressão sionista no Irã. A era do bullying e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não vamos ceder”, escreveu Ghalibaf.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como “positivo” pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. Tal entendimento, que contou com a mediação do Paquistão, foi assinado no dia 17 de junho, garantindo um cessar-fogo de 60 dias para negociações de paz e a reabertura do Estreito de Ormuz. Na área nuclear, o acordo afirma que o Irã concordou em não desenvolver armas atômicas.

Fonte: SBT NEWS

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