Justiça

Moraes levanta sigilo de delação de Cid e implica Bolsonaro em investigação

A decisão de Moraes visa garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. Essa delação marca um novo capítulo na investigação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Cid, que atuou como ajudante de ordens de Bolsonaro, foi uma das bases para a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Bolsonaro é acusado de tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Levantamento de sigilo e novos prazos

A decisão de Moraes visa garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório, permitindo que as defesas dos envolvidos tenham acesso total ao conteúdo da delação de Cid. O ministro também determinou que todos os acusados, incluindo o próprio Cid, devem contar o prazo para manifestação das defesas simultaneamente. A abertura dos detalhes da colaboração premiada surge após a denúncia, feita na terça-feira (18), que inclui Bolsonaro e outras 33 pessoas, envolvidas na alegada tentativa de golpe.

Acusações e elementos de prova

De acordo com a acusação, Bolsonaro teria liderado uma trama golpista com o objetivo de se manter no poder após perder as eleições de 2022. Além da delação de Cid, outros elementos surgiram como provas, como vídeos, anotações, mensagens e registros de presença em locais estratégicos. A Polícia Federal obteve esses materiais durante a investigação, que segue em andamento. Esses itens reforçam a hipótese de uma articulação para minar as instituições democráticas.

A defesa de Bolsonaro

A defesa de Bolsonaro refuta qualquer envolvimento com a trama golpista. Em nota, o advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que o ex-presidente “jamais compactuou com qualquer movimento” que buscasse enfraquecer o Estado Democrático de Direito. Além da acusação de golpe, Bolsonaro também está sendo investigado por outros crimes, como a falsificação de seu cartão de vacinação e a venda de presentes recebidos de autoridades estrangeiras.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Leia também