Acidentes com animais peçonhentos diminuem 10,1% nos últimos dois anos

Casos de acidentes com animais peçonhentos reduziram 10,1% na comparação das ocorrências de 2020 e 2019 no Amazonas. A maioria desses acidentes são causados por serpentes, modalidade que sofreu redução de 6,3% no comparativo entre os dois anos. Em 2020, 71,3% do total dos acidentes foram causados por serpentes. Em 2019, esse animal foi responsável por 68,4% dos casos.

Para o divulgador científico, Matheus Pantoja, que mantém um canal no YouTube para desmistificar os mitos contra os animais peçonhentos e os venenosos. “Vale destacar que esses animais são de extrema importância para o ecossistema e controle de pragas. Além disso, são de extrema importância para o desenvolvimento de remédios e soros, como o captopril que é retirado da toxina da jararaca que existe exclusivamente na amazônia”, afirmou.

De janeiro a dezembro de 2020, foram registrados 2.989 acidentes com animais peçonhentos. Já em todo o ano de 2019, essas ocorrências chegaram a 3.327 casos de acordo com os dados são da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

O divulgador científico ainda afirma que nem todos os acidentes são fatais. “Normalmente esses casos acontecem em situações de trabalho agrícola quando não há uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), geralmente no início da manhã e final da tarde, são quando estão ativos”, completou.

No Brasil existem cerca de 392 espécies de serpentes conhecidas e catalogadas, de acordo com o Instituto Butantan. São 74 gêneros que fazem parte de 10 famílias, das quais variam de serpentes com 20cm à 9 metros. Dentre as 392 espécies existentes, 63 são venenosa ou peçonhentas, um total de 15%.

A Gerência de Zoonoses da FVS-AM identificou redução de 17,5% nas ocorrências envolvendo escorpiões, com 513 registros de 2019, e 423, em 2020. A redução de 16,9% também foi observada nos acidentes tendo aranhas como causadores, sendo 206 registros em 2019, e 171, em 2020. Já os casos envolvendo lagartas permaneceram iguais nos últimos dois anos: foram 29 acidentes registrados em 2019 e em 2020 tendo esses animais como causadores.

De acordo com o médico veterinário Deugles Cardoso, da Gerência de Zoonoses da FVS-AM, vítimas de animais peçonhentos devem buscar atendimento médico. “É preciso levar a pessoa para atendimento de saúde imediatamente e verificar a gravidade da ocorrência”, afirmou o veterinário.

Os municípios que mais apresentaram notificações de acidentes por animais peçonhentos em todo o ano de 2020 foram Manaus (283), Itacoatiara (188), Parintins (162), Apuí (147), Maués (104) e São Gabriel da Cachoeira (103).

As recomendações incluem usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem; examinar calçados, roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las; afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários; não acumular entulhos e materiais de construção; limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede; e vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés.

É recomendado ainda utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos; manter limpos os locais próximo das casas, jardins e quintais; evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada; e limpar terrenos baldios, pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas.

Texto: João Paulo Gonçalves
Fotos: Matheus Pantoja/Divulgação