Economia

Fazenda confirma adiar fim do subsídio à gasolina

Ministro Durigan diz que alta do petróleo levou governo a deixar avaliação para a próxima semana; retirada do diesel também será cautelosa
Carro sendo abastecido em um posto de gasolina | Foto: Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (9) que a decisão sobre a retirada da subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina ficará para a próxima semana. Segundo ele, a alta recente do petróleo, em meio a novos atritos entre Estados Unidos e Irã, levou o governo a adiar a definição.

“Essa semana eu ia anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo”, disse Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha.

Conforme antecipado pelo SBT News, o governo já avaliava rever o plano de retirar o subsídio à gasolina nesta semana, depois do acirramento do clima entre Washington e Teerã frustrar as expectativas de acordo de cessar-fogo.

Segundo o ministro, a intenção do governo continua sendo retirar a subvenção da gasolina, de forma parcial ou total, caso o cenário permita. A decisão dependerá da evolução dos preços do petróleo nos próximos dias.

“Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar os subsídios da gasolina, seja parcial, seja totalmente, como o próximo passo”, afirmou.

Durigan disse que o governo trabalha com um cenário de incerteza permanente no Oriente Médio. Segundo ele, mesmo com tentativas de cessar-fogo ou de negociação, a situação entre Israel, Irã e Estados Unidos continua instável e pode afetar os preços internacionais do petróleo.

O ministro afirmou que o governo adotou, desde o início da guerra, a estratégia de agir rapidamente para evitar impacto sobre caminhoneiros, escoamento da safra e preços dos alimentos. Segundo ele, o Brasil usou parte da receita adicional obtida com a exportação de petróleo cru para amortecer o choque sobre os combustíveis.

“Nós não vamos demorar para adotar a providência, porque isso vai impactar greve de caminhoneiros, escoamento de safra no país, preço de alimento”, disse.

Durigan afirmou que o preço do barril de petróleo chegou a US$ 120 no momento de maior tensão e recuou para a faixa de US$ 70 a US$ 72 na semana passada. Na quarta-feira (8), porém, voltou a subir para perto de US$ 80.

Com a nova pressão, o ministro disse que a retirada dos subsídios precisa ser feita com cautela. Na semana passada, o governo já havia eliminado uma parcela de R$ 0,35 por litro da subvenção ao diesel. Com isso, o benefício total caiu de R$ 1,47 para R$ 1,12 por litro.

A Petrobras anunciou, no mesmo dia, uma redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras e suspendeu um desconto temporário no mesmo valor. Com isso, o preço médio do diesel A da companhia permaneceu em R$ 3,30 por litro.

Durigan disse que o governo também terá cuidado na avaliação sobre a retirada do restante da subvenção ao diesel. Além do subsídio federal, o acordo com os estados para aliviar o ICMS do diesel já foi encerrado.

“Tiramos um pedaço da subvenção do diesel, já tínhamos concluído a subvenção do ICMS com os governadores”, afirmou.

O ministro também disse que a alta do petróleo não altera os planos do governo para ampliar a mistura de biocombustíveis. Segundo ele, o aumento da participação do etanol na gasolina, de 30% para 32%, deve ocorrer “nos próximos dias”.

“O 32% vem aí, vai ser uma realidade nos próximos dias”, declarou.

A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que trataria o tema na quarta-feira (8) foi adiada. Durigan disse que a suspensão ocorreu por causa da mudança nos indicadores e nos preços do petróleo durante o encontro. Segundo ele, o adiamento não altera a decisão sobre a mistura de etanol.

Fonte: SBT NEWS

Carro sendo abastecido em um posto de gasolina | Foto: Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

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