Política

Câmara avança com educação financeira para conter endividados do país

Projeto de Amom Mandel aprovado na Comissão de Educação propõe ações permanentes de orientação sobre crédito, consumo consciente, renegociação de dívidas e direitos do consumidor

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 6.585/2025, de autoria do deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM), que estabelece diretrizes para a promoção contínua de ações de conscientização e educação financeira em planos, programas e políticas públicas do Governo Federal. A proposta tem como objetivo prevenir o superendividamento da população brasileira, estimular o uso responsável do crédito e fortalecer a cultura de planejamento financeiro.

O texto prevê que as ações possam incluir campanhas educativas, oficinas, cursos, palestras, orientação sobre crédito responsável, identificação de assédio de crédito, prevenção ao superendividamento, renegociação de dívidas e capacitação de servidores públicos para melhorar o atendimento ao cidadão em temas financeiros. A ideia é tirar a educação financeira do campo do improviso e transformá-la em uma prática permanente, acessível e ligada à vida real das famílias.

A aprovação ocorre em um momento crítico para o orçamento dos brasileiros. Em abril de 2026, 80,9% das famílias brasileiras declararam ter algum tipo de dívida, o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC. No mesmo mês, 29,7% das famílias estavam com contas em atraso, e 12,3% afirmaram não ter condições de quitar suas dívidas.

Dados da Serasa também mostram a gravidade do problema: em fevereiro de 2026, o país chegou a 81,7 milhões de pessoas inadimplentes, com mais de 332 milhões de dívidas registradas. A dívida média por consumidor alcançou R$ 6.598,13.

No Amazonas, o alerta é ainda mais forte. Levantamento da Serasa apontou que o estado aparece entre os maiores percentuais de população endividada do país, com 58,25% da população economicamente ativa nessa condição em dezembro de 2025. Em Manaus, dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor indicaram que 87,7% das famílias estavam endividadas, o equivalente a mais de 621 mil famílias, enquanto 48,7% estavam inadimplentes, cerca de 345 mil famílias.

Para Amom Mandel, a proposta parte de uma constatação simples: muita gente entra em uma dívida sem entender completamente juros, crédito rotativo, consignado, parcelamento, renegociação ou o impacto real daquela conta no orçamento da casa.

“Educação financeira não é luxo. É proteção básica. Quando uma família entende como o crédito funciona, ela fica menos vulnerável a abuso, assédio financeiro e decisões que viram uma bola de neve. O objetivo do projeto é prevenir antes que a dívida destrua a renda, o sono e a dignidade das pessoas”, afirmou o deputado.

O parecer do relator, deputado Júlio Cesar Ribeiro, manteve o mérito da proposta e reconheceu que a educação financeira é uma política preventiva importante contra o superendividamento. As alterações ajustam a articulação educacional para envolver instituições federais de ensino superior, respeitando sua autonomia, especialmente em programas de extensão e iniciativas de apoio à sociedade.

Na justificativa do projeto, Amom destaca que, embora a Lei nº 14.181/2021 tenha incluído no Código de Defesa do Consumidor regras sobre superendividamento e mínimo existencial, a proteção só funciona de forma plena quando o cidadão tem informação suficiente para tomar decisões financeiras mais seguras. O texto também ressalta que a proposta não cria despesa obrigatória, priorizando o uso de estruturas já existentes, meios digitais, parcerias institucionais e cooperação com Procons, Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e instituições de ensino.

Agora, a matéria vai passar pelas comissões de Administração e Serviço Público, Defesa do Consumidor, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça.

Fonte/Foto: Assessoria Amom Mandel em Manaus

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