O 3º Corredor Cultural do Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito chega à sua etapa final neste fim de semana, dias 11 e 12 de abril, com uma programação que reúne oficinas, apresentações culturais e celebrações tradicionais no próprio território quilombola, que fica na Rua Japurá, 1362, no bairro Praça 14 de Janeiro, em Manaus.
A programação de encerramento integra as atividades do Festejo de São Benedito, que em 2026 completa 136 anos, mantendo vivas práticas de fé, cultura e encontros comunitários que atravessam gerações na comunidade.
Ao longo das últimas semanas, o Corredor Cultural promoveu ações formativas em escolas públicas, universidade e no próprio quilombo, com oficinas de educação antirracista, contação de histórias quilombolas, formação musical e rodas de escuta comunitária. A etapa final concentra as atividades no território, reafirmando o espaço como referência de memória, resistência e produção cultural afro-brasileira em Manaus.

Bruna Gomes, aluna do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Amazonas, destacou a importância da programação para a afirmação da população negra amazônida.
“A gente está falando de um espaço que fortalece a identidade da população negra no Amazonas. Participar dessas atividades é também reconhecer que a educação precisa dialogar com o território, com a vivência e com a história das comunidades”, destacou.
No sábado (11), a programação inicia às 10h com a oficina de feijoada, ministrada por Jamily Silva, valorizando saberes da culinária tradicional. À tarde, acontecem as oficinas de percussão e harmonia do samba raiz, seguidas de apresentações culturais com o grupo Do Quilombo se Fez Samba Raiz, que contará com participação especial de Marquinhos Negritude, e o grupo Cocada Baré, expressões que dialogam com as matrizes afro-brasileiras e com a história construída no território. No domingo (12), as atividades acompanham a programação religiosa do festejo, com a procissão de São Benedito, a novena e a tradicional derrubada do mastro, momento simbólico que marca o encerramento das celebrações.


Para a produtora cultural Rafaela Fonseca, que também é moradora do quilombo, a etapa final do projeto representa a continuidade de um trabalho que acontece no cotidiano da comunidade.
“O Corredor Cultural mostra um trabalho que a gente vive todos os dias dentro do quilombo. Está na culinária, nas relações, nas práticas que atravessam o nosso território. Essa terceira edição é motivo de muita alegria e também de gratidão a todos que fortalecem essa construção coletiva”, destaca.
O Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito é um dos principais territórios de memória afro-brasileira em Manaus, formado no final do século XIX com a chegada de famílias maranhenses à capital amazonense. Ao longo dos anos, o espaço conquistou reconhecimentos importantes, como a certificação pela Fundação Cultural Palmares, o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Manaus, além de ser reconhecido como Ponto de Memória e Ponto de Cultura.
A realização do 3º Corredor Cultural conta com apoio do Fundo Casa Socioambiental e do Programa Agentes Territoriais de Cultura, em parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA) e o Ministério da Cultura.
PROGRAMAÇÃO — ETAPA FINAL
11 de abril
10h — Oficina de Feijoada (Jamily Silva)
14h — Oficina de Percussão do Samba Raiz
14h — Oficina de Harmonia do Samba Raiz
18h — Apresentação Do Quilombo se Fez Samba Raiz com participação do Marquinhos Negritude
19h — Apresentação Cocada Baré
12 de abril
17h — Procissão de São Benedito
20h — Novena
20h30 — Derrubada do mastro
Fotos: Jessica Oliveira



