A cultura quilombola volta a ocupar diferentes espaços de Manaus com a realização da terceira edição do Corredor Cultural do Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito, que acontece entre os dias 19 de março e 12 de abril. A iniciativa reúne atividades formativas, oficinas, rodas de escuta e apresentações artísticas que colocam em evidência saberes tradicionais e expressões da cultura negra presentes na capital amazonense.
A programação vai passar por escolas públicas, universidade e pelo próprio território quilombola, no bairro Praça 14 de Janeiro. Entre os locais que recebem as atividades estão a Escola Estadual Luizinha Nascimento, a Escola Estadual Barão do Rio Branco, o Centro Universitário Fametro e o Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito, criando pontes entre educação, cultura e comunidade.
Nesta edição, o projeto promove ações que passam pela educação antirracista, contação de histórias quilombolas, oficinas de culinária tradicional e formação musical ligada ao samba raiz. A programação inclui ainda apresentações culturais que dialogam diretamente com as matrizes afro-brasileiras e com a história construída no Barranco ao longo de gerações.

Para a produtora cultural Rafaela Fonseca, o projeto tem papel importante no fortalecimento da identidade da comunidade quilombola e no reconhecimento da presença negra na história da cidade.
“O Corredor Cultural ajuda a preservar a identidade negra em Manaus e a combater o apagamento histórico da presença negra na Amazônia. Para os moradores, especialmente os mais jovens, essas formações fortalecem a ancestralidade e o orgulho quilombola dentro do contexto urbano”, afirma.
As atividades são abertas para crianças, jovens, adultos, educadores e moradores da cidade interessados em conhecer mais sobre as tradições culturais de origem africana presentes na Amazônia urbana. Ao longo de suas edições, o Corredor Cultural já reuniu cerca de 500 participantes, entre alunos das oficinas, artistas convidados e público visitante.

Para o músico e instrutor das oficinas de samba raiz, Éder Fonseca, a iniciativa também tem impacto social ao oferecer formação cultural e oportunidades para os participantes.
“A música é uma profissão e pode transformar vidas. Através das oficinas gratuitas, o projeto ajuda pessoas a descobrirem novos caminhos, saírem da ociosidade e até encontrarem na arte uma forma de cuidado e de expressão”, destaca.
Para Andarilha, produtora geral do projeto, a iniciativa reforça a importância de valorizar os saberes e a memória da comunidade.
“O Corredor Cultural nasce do próprio território quilombola e se tornou um espaço de formação, de fortalecimento da memória e de promoção da educação antirracista. É também uma forma de reafirmar que o Quilombo do Barranco de São Benedito existe, resiste e faz parte da cultura da cidade de Manaus e do Estado Amazonas”, destaca.
A edição de 2026 acontece em um momento simbólico para a comunidade: o período do Festejo de São Benedito, manifestação religiosa e cultural que há mais de um século mobiliza moradores da comunidade e visitantes. Neste ano, a celebração completa 136 anos, mantendo vivas práticas de fé, culinária, música e encontros comunitários que fazem parte da história do território.
O Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito é um dos espaços de maior relevância para a memória afro-brasileira em Manaus. O território começou a se formar no final do século XIX com a chegada de famílias maranhenses à capital amazonense, que trouxeram consigo tradições culturais e religiosas que permanecem presentes até hoje.
Com o passar dos anos, o local passou a receber diferentes reconhecimentos institucionais, entre eles a certificação como quilombo pela Fundação Cultural Palmares, o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Manaus, além do reconhecimento como Ponto de Memória e Ponto de Cultura, reforçando a importância histórica e cultural da comunidade.
A realização da terceira edição do Corredor Cultural conta com apoio do Fundo Casa Socioambiental e do Programa Agentes Territoriais de Cultura, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA) e o Ministério da Cultura, fortalecendo iniciativas culturais comunitárias voltadas à valorização da diversidade e da memória afro-amazônica.
PROGRAMAÇÃO
19 de março
08h30 — Oficina Sankofa: Formação em Educação Antirracista e Contação de Histórias Quilombolas
Instrutora: Rafaela Fonseca
Local: Escola Estadual Luizinha Nascimento
20 de março
08h — Oficina Sankofa: Formação em Educação Antirracista e Contação de Histórias Quilombolas
14h — Oficina de Percussão do Samba Raiz
14h — Oficina de Harmonia do Samba Raiz
Grupo: Do Quilombo se Fez Samba Raiz
Local: Escola Estadual Barão do Rio Branco
20 de março
19h — Oficina Sankofa: Formação em Educação Antirracista e Contação de Histórias Quilombolas com Rafaela Fonseca
Cultura, ancestralidade e políticas culturais com Andarilha
Local: Centro Universitário Fametro
21 de março
09h — Oficina Sankofa: Formação em Educação Antirracista e Contação de Histórias Quilombolas com Rafaela Fonseca
10h — Escuta comunitária, cartografias populares e democracia cultural
Condução: Andarilha
Local: Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito
11 de abril
10h — Oficina de Feijoada
Instrutora: Jamily Silva
14h — Oficina de Percussão do Samba Raiz
14h — Oficina de Harmonia do Samba Raiz
6h — Apresentação de Samba Raiz
7h — Apresentação de Coco de Roda
Local: Quilombo Urbano do Barranco de São Benedito
12 de abril
17h00 — Procissão de São Benedito
20h00 — Novena
20h30 — Derrubada do mastro
Fotos: Jessica Oliveira
Fonte: Assessoria



