Economia

Black Friday 2025: Promoções Reais, Golpes Digitais

Durante o período que antecede a Black Friday, cresce a circulação de deepfakes usados para imitar influenciadores e celebridades

À medida que se aproxima a Black Friday, marcada este ano para o dia 28 de novembro, consumidores brasileiros se preparam para aquele que é considerado o maior evento de descontos do varejo. Tradicionalmente associada a filas, telas piscando com “ofertas imperdíveis” e compras impulsivas, a data evoluiu para um gigantesco ecossistema digital  que mistura grandes oportunidades, riscos tecnológicos e reflexões urgentes sobre consumo consciente, eficiência energética e segurança cibernética.

Descontos reais x “ofertas fantasmas”: quando a Black Friday vira terreno fértil para golpes

Durante o período que antecede a Black Friday, cresce a circulação de deepfakes usados para imitar influenciadores e celebridades, anunciando promoções que jamais existiram. A tecnologia, que antes parecia restrita ao entretenimento, tornou-se arma de golpistas que utilizam vídeos falsificados para induzir consumidores a clicar em links maliciosos ou transferir valores via PIX. Além disso, sites falsos que imitam grandes varejistas aparecem com força, muitas vezes utilizando domínios quase idênticos aos originais. “As pessoas se deixam levar pelo visual da página, mas é comum que o endereço seja alterado por um caractere. O resultado é perda de dinheiro, roubo de dados ou clonagem de cartões”, explica um analista de segurança digital ouvido pela reportagem.

Os anúncios patrocinados em redes sociais, por sua vez, desempenham papel central na disseminação das fraudes. Perfis recém-criados oferecem televisores, geladeiras e celulares por preços muito abaixo da média. Em marketplaces, golpistas alugam lojas já existentes, alteram o estoque e, em poucos dias, somem sem entregar nenhum produto. O problema se agrava com o roubo de dados de cartão de crédito ou débito, que cresce significativamente nesta temporada. Sites fraudulentos capturam informações bancárias por meio de checkouts falsos, enquanto algumas campanhas fraudulentas solicitam downloads de aplicativos que instalam malwares no celular do consumidor. Diante desse cenário, órgãos de defesa do consumidor reforçam uma orientação essencial: se a oferta parece boa demais para ser verdade, provavelmente é um golpe.

Eficiência energética: o verdadeiro critério técnico para compras inteligentes

Enquanto parte do público busca “o menor preço”, especialistas em engenharia elétrica e eficiência energética chamam atenção para outro ponto: comprar barato não significa economizar. A Black Friday pode e deve  ser um momento de trocar eletrodomésticos antigos por equipamentos eficientes, aqueles que realmente reduzem a conta de energia. Geladeiras, condicionadores de ar, máquinas de lavar e televisores classificados com Selo Procel  chegam a consumir até 40% menos eletricidade que modelos desatualizados.

O engenheiro eletricista Kleber Santana, professor da Centro Universitário Martha Falcão em Manaus, foi consultado sobre o tema e diz que: “O consumidor brasileiro costuma pensar no preço de compra, mas ignora o custo ao longo da vida útil do produto. Um aparelho novo, eficiente, paga seu investimento ao reduzir o gasto mensal de energia.” Assim, a Black Friday deixa de ser apenas um evento de consumo impulsivo e se transforma em oportunidade estratégica de renovação tecnológica e especialmente em um país onde o custo da energia é elevado e oscila conforme bandeiras tarifárias e crises hídricas.

Como economizar de verdade na Black Friday: engenharia, planejamento e segurança digital

Economizar na Black Friday não é somente aproveitar descontos, mas comprar com inteligência técnica e digital. A primeira recomendação dos engenheiros consultados envolve comparar não apenas preços, mas também o custo energético anual dos equipamentos. A matemática é simples, ou seja, um produto mais eficiente pode significar centenas de reais economizados ao longo dos anos. Outra recomendação é priorizar produtos de marcas reconhecidas, com garantias claras e assistência técnica regularizada. E, claro, desconfiar de aparelhos com valores muito distantes do mercado e especialmente em anúncios de redes sociais e lojas desconhecidas.

Do ponto de vista da segurança digital, especialistas listam ações fundamentais:

·        verificar o cadeado de segurança e o certificado HTTPS do site;

·        evitar links enviados por mensagens ou vídeos suspeitos;

·        consultar o CNPJ e a reputação da loja em plataformas oficiais;

·        nunca salvar dados bancários em sites que você não conhece;

·        preferir cartões virtuais ou senhas temporárias.

“Fui vítima de fraude, o que fazer?”

Caso o consumidor perceba que caiu em um golpe durante a Black Friday, a orientação é agir imediatamente:

1.     Bloquear o cartão e avisar o banco.

2.     Registrar um boletim de ocorrência, preferencialmente na delegacia especializada em crimes cibernéticos.

3.     Juntar todas as evidências: prints, recibos, links, conversas.

4.     Notificar a plataforma de compra.

5.     Acionar órgãos de defesa do consumidor, como Procon e Senacon. Especialistas lembram que quanto antes o caso é reportado, maior a chance de reversão da compra ou cancelamento do pagamento.

Black Friday 2025: a engenharia como aliada do consumo consciente

Ao relacionar consumo, tecnologia e segurança, fica claro que a Black Friday deixou de ser uma simples temporada de compras. Hoje, o evento exige visão técnica, planejamento e, sobretudo, consciência sobre eficiência energética. A engenharia desempenha papel decisivo nesse processo, pois, orienta o consumidor sobre tecnologias sustentáveis, sobre a importância do Selo Procel, sobre o ciclo de vida dos produtos e, principalmente, sobre como transformar uma oferta relâmpago em economia real para os próximos anos. Num período em que golpes digitais se multiplicam e falsas promoções circulam a cada minuto, a combinação entre segurança cibernética, análise técnica de eficiência e postura crítica diante das ofertas é o caminho para que a Black Friday cumpra seu propósito: ajudar o consumidor e não o colocar em risco. Em 2025, mais do que nunca, comprar bem significa comprar com informação.

Fonte/Foto: Assessoria Faculdade Martha Falcão Wyden

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